Temática das drogas abre a semana comemorativa pelos 58 anos da ENSP

Luiz Eduardo Soares em palestra na semana dos 58 anos da ENSP/ Foto: Portal ENSP
Luiz Eduardo Soares em palestra na semana dos 58 anos da ENSP/ Foto: Portal ENSP

As drogas são consideradas um grave problema de saúde pública no Brasil. O uso sem controle e a disseminação do consumo de forma desordenada e sem ações eficazes do poder público sobre a questão colocam os usuários, suas famílias e toda a sociedade em condição de risco. Os usuários especialmente, em situação de vulnerabilidade social. Com este tema como foco a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, da Fiocruz deu início na manhã do dia 10 às comemorações pelos seus 58 anos. O conferencista da abertura da semana de eventos foi o cientista político Luiz Eduardo Soares. Na mesa de debates também estavam presentes Paulo Gadelha, presidente da Fiocruz e do Comitê Brasileiro sobre Drogas e Democracia, e o diretor da ENSP Antônio Ivo de Carvalho. Soares lançou na ocasião o livro Tudo ou Nada. A publicação conta a história de um brasileiro envolvido com o tráfico de drogas. Preso em Londres com duas toneladas de cocaína, ele foi condenado a 24 anos de prisão por associação ao tráfico internacional de drogas.

Durante a palestra Drogas: políticas públicas e saúde, Luiz Eduardo Soares citou números destacando a realidade brasileira no que se refere ao tráfico e a posição de combate e repressão pelas autoridades. Segundo ele, ocorrem em média 50 mil homicídios dolosos por ano no país, que tem também a terceira maior população prisional do mundo. O palestrante lembrou que o tráfico é a força motriz da engrenagem criminosa que colabora para índices de violência alarmantes e destacou que uma nova política de drogas poderia interromper este ciclo vicioso. “Só há tráfico se há proibição. Sabemos que o tráfico de drogas financia o de armas e promove a violência”. Ainda sobre a população carcerária do país, o cientista político destacou que a tendência é a de que tais números cresçam de forma assombrosa. Ele ressaltou também as características da maioria dos presos que estão nas cadeias do país atualmente. “Na população prisional há uma forte concentração de homens, jovens, pobres, negros, presos em flagrante e em geral, sem armas. Eles somam mais de 65% do total”, destacou.

Na abertura da semana comemorativa o cientista político fez observação sobre a legalização das drogas no Brasil, e defendeu sua postura favorável a mudança nas leis sobre entorpecentes e na visão da sociedade. Ele ressaltou ser favorável à legalização do consumo e lembrou que o tráfico é um dos responsáveis pelos altos índices de mortes, que colocam o país na segunda posição mundial em números absolutos de homicídios. “Uma pergunta que sempre me fazem é: o Brasil está preparado para a legalização das drogas? Minha resposta é: O Brasil está preparado para 50 mil homicídios por ano e para gerar todas as mazelas e custos que tem produzido?”, argumentou Luiz Eduardo Soares. “A proibição não veta o acesso às drogas. Onde há acesso, há demanda. Deve-se definir em que termos o acesso já existe e será vivenciado”, concluiu.

A ENSP continua o debate sobre o problema das drogas na sociedade na quarta-feira com a exibição do filme Selva de Pedra- A Fortaleza Noiada, às 13h30, no Salão Internacional.

 

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