Avaliação do rendimento escolar em 2019 já não era boa e foi agravada pela pandemia

É necessário identificar em cada estudante quais são seus padrões e patamares de aprendizado – Foto: Sumaia Vilela/Agência Brasil

De acordo com Ocimar Alavarse, em consequência da pandemia, alunos do 3° ano do ensino médio são os mais prejudicados e terão de procurar outras formas de recuperar as deficiências no aprendizado

O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apresentou o pior resultado desde o início de sua avaliação, em 2010. Após os testes, foi verificado que os alunos do 5° ano da rede estadual de ensino fundamental apresentam o mesmo nível de conhecimento em matemática que os do 2° ano. Já em português, o estudante tem o mesmo conhecimento de quem está no 3° ano. Para Ocimar Alavarse, professor  de graduação e pós-graduação da Faculdade de Educação da USP e coordenador do Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação Educacional, o Gepave, “tudo indica que o grande impacto nos resultados se deve ao período de pandemia, onde praticamente os alunos ficaram sem atividades presenciais por dois anos. Isso reforça a hipótese de que pouca proficiência foi agregada aos estudantes nesse período, sem desmerecer os esforços de professores e escolas nas iniciativas de uso de tecnologias de informação e comunicação no ensino remoto; isso não produziu o efeito desejado, o que reforça a importância das aulas presenciais”.

Resultados ruins já em 2019

Ocimar Munhoz Alavarse – Foto: Reprodução

O professor relembra que, em 2019, os resultados já não eram bons e apontavam para uma série de preocupações: 94% dos alunos da terceira série do ensino médio, daquele ano, estavam abaixo do que se considera adequado. “Em 2019, 44% dos alunos que terminavam os anos iniciais estavam abaixo do patamar adequado. Agora, 61%.” Segundo o professor, diante desse quadro é necessária uma série de medidas, que vão variar conforme o ano escolar. A situação mais preocupante é dos alunos que, em 2022, estão no terceiro ano do ensino médio. Eles terão apenas um ano letivo para desenvolver as aprendizagens, especialmente em leitura e matemática, em função do que não aprenderam nos anos anteriores.

Para o professor Alavarse, “agora é necessário identificar em cada estudante quais são seus padrões e patamares de aprendizado, especialmente em leitura e matemática, as chamadas competências de base, aquelas capacidades das quais se cernem todas e qualquer disciplina escolar, sem depreciar os outros componentes curriculares. É importante que em cada escola, em cada sala de aula, sejam identificadas essas aprendizagens acumuladas por esses estudantes”. Ele também destaca que a situação é muito delicada e é preciso ver o papel da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo dentro dessa realidade. Os alunos que concluíram o ensino médio em 2020 e 2021 vão precisar de medidas complementares por já terem perdido seu vínculo formal com a rede estadual e terem limitações no seu processo de aprendizagem.

 

Por Simone Lemos – Jornal da USP . 14/03/2022

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