O combate ao Aedes sob a ótica dos determinantes sociais da saúde

Modelo-DSS-Dahlgren and Whitehead

Mobilizar a população para combater os focos de reprodução do mosquito Aedes aegypti é fundamental para evitar possíveis epidemias de dengue, zika e chikungunya. Essa ação, no entanto, pode ser potencializada se estiver integrada a outras políticas e iniciativas.

Aedes é uma espécie adaptada ao convívio com o ser humano, reproduzindo-se com mais facilidade em assentamentos urbanos do que em ambientes naturais. Assim, é importante ter uma visão ampla sobre as relações entre sua atuação como transmissor de doenças e as condições de vida das populações das cidades.

Uma maneira de estabelecer essas relações é conhecer o conceito de determinantes sociais da saúde (DSS), que ganha cada vez mais força no campo da saúde pública. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os DSS podem ser definidos como “as condições sociais em que as pessoas vivem e trabalham”, aí incluídos fatores econômicos, ambientais e culturais, entre outros.

A relevância dos DSS reflete o reconhecimento de que a saúde de um indivíduo ou de uma população é determinada por elementos que vão muito além do cuidado pessoal e que, por vezes, estão fora de seu raio de ação. A imagem a seguir, conhecida como Modelo de Dahlgren e Whitehead, ilustra esse conceito:

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Esse modelo dispõe os DSS em diferentes camadas, acima das características individuais (idade, sexo e fatores hereditários). Ao se utilizar essa perspectiva, é possível perceber outros campos de atuação e reivindicação que tornariam o combate ao Aedes aegypti mais eficaz.

Sabe-se, por exemplo, que as larvas do mosquito dependem do acúmulo de água parada para se desenvolverem. Serviços públicos essenciais, como saneamento básico e coleta de lixo, contribuem muito para a eliminação de criadouros, já que o fornecimento regular de água reduz a necessidade de reservatórios domésticos e a coleta de lixo não permite que objetos acumulem água.

Por trás desses dois pontos, há a questão do planejamento urbano. O Aedes já foi considerado erradicado do país, mas o crescimento desorganizado das grandes cidades brasileiras permitiu que ele voltasse. Uma cidade que evolui de forma planejada é capaz de oferecer serviços e garantir direitos a sua população com mais facilidade e qualidade.

O desequilíbrio ambiental e as consequentes mudanças climáticas são outros macrofatores relacionados a possíveis epidemias de dengue, zika e chikungunya. O aumento de temperatura e a maior ocorrência de fenômenos climáticos, como chuvas fortes, formam um cenário ideal para a proliferação do mosquito. Por isso, a educação ambiental tem importância fundamental.

A mobilização da população e o incentivo a mudanças de comportamento, já feitos com frequência, também são imprescindíveis sob a ótica dos DSS. Representam oportunidades para trabalhar valores como a solidariedade, estimular o protagonismo juvenil e fortalecer os laços comunitários.

A educação, com a função de formar cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, é uma área estratégica para a realização de ações intersetoriais.

 

 

Fonte: O combate ao Aedes sob a ótica dos determinantes sociais da saúde. Rio de Janeiro: MultiRio; 2017 Fev 06. [acesso em 07 mar 2017]. Disponível em: http://www.multirio.rj.gov.br/index.php/leia/reportagens-artigos/reportagens/12007-o-combate-ao-i-aedes-i-sob-a-%C3%B3tica-dos-determinantes-sociais-da-sa%C3%BAde

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