Pesquisa avalia alimentação de adolescentes

Avaliar a validade dos indicadores de práticas alimentares do questionário utilizado na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) entre adolescentes da cidade do Rio de Janeiro foi o foco do artigo Validade relativa de indicadores de práticas alimentares da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar entre adolescentes do Rio de Janeiro, Brasil, assinado pela pesquisadora do Departamento de Epidemiologia da ENSP Letícia de Oliveira Cardoso, em parceria com Letícia Ferreira Tavares, Inês Rugani Ribeiro de Castro, Michelle Delboni dos Passos, Flávia dos Santos Barbosa Brito, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro;  e Renata Bertazzi Levy, da Universidade de São Paulo. Foram estudados 174 alunos, dos quais 54% eram do sexo feminino, e 67,2% estudavam em escola pública. A faixa etária do grupo pesquisado variou de 13 a 17 anos. Os indicadores avaliados pelo estudo são a ingestão regular dos alimentos marcadores de alimentação saudável, marcadores de alimentação não saudável e as rotinas alimentares – refeição com responsável, desjejum e comer enquanto estuda ou assiste à TV. Entre os meninos, estão os maiores índices de acurácia em 12 dos 18 indicadores estudados.

De acordo com a publicação, os resultados mostram que os indicadores de consumo regular de alimentos saudáveis e referente à realização do desjejum apresentaram melhor desempenho do que aqueles de consumo regular de alimentos não-saudáveis, refeição com responsável e enquanto estuda ou assiste à TV. As frequências geradas pelo questionário foram superiores para os indicadores ‘salgadinhos de pacote’ e ‘biscoitos salgados’ e mais baixas para embutidos e refeição.

Segundo as autoras do artigo, a ingestão alimentar foi medida por meio de questionário qualitativo (QUEST), no qual foi registrado o número de dias, na semana que antecedeu o estudo, em que o aluno consumiu: feijão; legume ou verdura, crua ou cozida, excluindo batata e aipim; salada crua; legume ou verdura cozidos na comida ou sopa (excluindo batata e aipim); frutas frescas ou salada de fruta;  e leite (exceto leite de soja), considerados alimentos marcadores de alimentação saudável (MAS).

Já como alimentação não saudável (MANS) consideram-se guloseimas (doces, balas, chicletes, pirulitos, chocolates ou bombons); biscoitos, bolachas, salgadinhos de pacote ou batata frita de pacote; biscoitos doces ou bolachas doces; biscoitos salgados ou bolachas salgadas; salgadinhos de pacote ou batata frita de pacote; batata frita (exceto a batata de pacote) ou salgado frito; embutidos (hambúrguer, salsicha, linguiça, mortadela, salame, presunto, peito de peru ou nuggets); refrigerante; bebidas com açúcar como refrigerantes, sucos ou refrescos, chás, águas com sabor, isotônicos, bebidas à base de soja (sem contar bebidas light, diet, zero, com adoçante ou bebidas com leite e iogurte).

Essa divisão de alimentos, explica o artigo, foi baseada não somente nas recomendações nutricionais para prevenção de doenças não transmissíveis, que levam em conta a densidade energética e a quantidade de gordura, sal, açúcar, fibras e micronutrientes nos alimentos, mas também em evidências que sugerem a associação dessas variáveis com fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis.

O artigo resgata o histórico da PeNSE. Conforme relata o texto, um componente fundamental para o norteamento e a avaliação de ações mais efetivas de prevenção e controle das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) é o conhecimento da magnitude, distribuição e tendência temporal dos fatores de risco para essas doenças nas populações para as quais essas políticas são dirigidas. Nessa perspectiva, organismos internacionais recomendam que sejam desenvolvidas ações de monitoramento de fatores de risco e proteção à saúde associados às DCNT e destacam a importância de se desenvolverem sistemas de vigilância dirigidos aos adolescentes.

Em consonância com essa recomendação e baseando-se em experiências de outros países e brasileiras, a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estruturou um sistema de vigilância de fatores de risco para a saúde de adolescentes baseado em inquéritos regulares realizados em escolas.

O primeiro inquérito, denominado Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), foi realizado, no ano de 2009, em uma amostra probabilística de adolescentes do 9° ano do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas das 26 capitais de estados brasileiros e do Distrito Federal. Nova edição desse inquérito ocorreu em 2012.

Os assuntos contemplados no questionário da PeNSE são as características sociodemográficas, alimentação, imagem corporal, atividade física, tabagismo, consumo de álcool e outras drogas, saúde bucal, comportamento sexual, violência, acidentes, segurança, dados antropométricos (autorreferidos) e apreciação geral do questionário.

O artigo Validade relativa de indicadores de práticas alimentares da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar entre adolescentes do Rio de Janeiro, Brasil foi elaborado pelas pesquisadoras Letícia Ferreira Tavares, Inês Rugani Ribeiro de Castro, Michelle Delboni dos Passos, Flávia dos Santos Barbosa Brito, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro; Renata Bertazzi Levy, da Universidade de São Paulo; além de Letícia Oliveira Cardoso, da ENSP. Foi publicado na revista Cadernos de Saúde Pública, volume 30 número 5, de maio 2014.

Fonte: Pesquisa avalia alimentação de adolescentes. Rio de Janeiro: Informe Ensp; 2014 Jul 01 [acesso em 07 jul 2014]. Disponível em: http://www.ensp.fiocruz.br/portal-ensp/informe/site/materia/detalhe/35681

 

 

 

 

 

 

 

 

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